Parecer Financeiro Inteligente
Calls do Mercado
Ibovespa engata disparada com rali eleitoral e exterior benigno
A última sessão da semana chega com ares de trégua — no Oriente Médio, nos Treasuries e, principalmente, na política doméstica. O Ibovespa acelera 2,02% e volta a negociar aos 171.310 pontos, sustentado por um exterior positivo e pelo foco que se desloca para um cenário eleitoral mais competitivo. O dólar comercial cede a R$ 5,19, enquanto os juros futuros longos respiram, em um dia de correção após um início de semana volátil.
Lá fora, a narrativa é de alívio. O Brent tenta se estabilizar em torno de US$ 104,41, depois do tombo recente e ainda sob o impacto das tensões no Irã. As bolsas globais operam em consolidação após renovarem máximas, com Nasdaq em alta de 0,69% — ajudado pela recompra bilionária da Samsung — e os índices europeus no positivo. A queda do dólar ante as principais moedas favorece commodities e emergentes, criando o pano de fundo ideal para a valorização dos ativos brasileiros.
No radar doméstico, a política volta a ditar o ritmo. O Datafolha de hoje à noite deve refletir uma disputa mais apertada entre Lula e Flávio Bolsonaro, e o mercado precifica esse cenário como construtivo para a agenda de reformas. A coordenação econômica da campanha de Flávio ganhou novos nomes, enquanto o ministro Dario Durigan saiu em defesa da política fiscal e atribuiu a pressão de preços à ...guerra no Irã. O impacto é direto na curva: os juros longos caem até 10 pontos-base e o real opera entre as moedas mais fortes do dia, em uma sessão de apetite por risco claramente renovado.
O alívio nos juros futuros também reflete a leitura de que o Copom encontrou espaço para levar a Selic a 14,00%, mas o custo de capital do middle market segue elevado — um ponto de atenção destacado pelo mercado e pela Ágora. O movimento de hoje, porém, é menos sobre fundamentos do que sobre fluxo e posicionamento: com o exterior estável e o cenário eleitoral em evolução, o investidor local reduz prêmios e reposiciona carteiras.
Entre os destaques corporativos, a sessão é de ajuste. A Vale sobe forte com o minério de ferro estável, Petrobras acompanha a estabilização do Brent e o BTG Pactual elevou o preço-alvo da SLC Agrícola, reforçando a tese contracíclica no setor. Do lado negativo, o destaque é a Estrela (ESTR3), que protocolou plano de recuperação judicial para renegociar R$ 109 milhões em dívidas. No mercado de locadoras, a Ágora monitora a nova queda no preços de seminovos — um ajuste que segue pressionando o setor, mas que já está nos preços.
No fim do dia, o mercado brasileiro devolve parte do pessimismo recente e embarca em um movimento de correção técnica institucional. A briga eleitoral cada vez mais acirrada, o petróleo em xeque e a possibilidade de uma trégua geopolítica dar fôlego extra — resta saber se é apenas um respiro de sexta-feira ou o início de uma nova perna. O PMI americano, às 10h45, e o Datafolha, às 18h40, podem dar a resposta ainda hoje.
Trilha dos Juros